A reserva ovariana diminuída (do inglês diminished ovarian reserve, ou DOR) é definida clinicamente por um conjunto de sinais: níveis elevados de hormônio folículo-estimulante (FSH), hormônio antimülleriano (AMH) reduzido e contagem de folículos antrais mais baixa. Na prática, isso costuma significar menor probabilidade de resposta a tratamentos de reprodução assistida e um desafio a mais no caminho até a gestação.
Uma revisão publicada em 2025 no Journal of Ovarian Research reuniu 12 estudos clínicos e 38 pesquisas básicas conduzidas entre 2019 e 2024 sobre o papel da fitoterapia chinesa no manejo da DOR. O ponto de partida dos autores é que a medicina tradicional chinesa costuma abordar a reserva ovariana de forma multidirecionada, atuando sobre vários mecanismos ao mesmo tempo, em vez de um único alvo terapêutico.
O que a literatura reunida indica
Entre os achados descritos na revisão, fórmulas fitoterápicas voltadas a tonificar rim e mover sangue, categorias clássicas da medicina chinesa, aparecem associadas, em diferentes estudos, à melhora de parâmetros hormonais basais e da função ovariana. Revisões correlatas também apontam que a acupuntura aplicada em pontos relacionados ao ovário, ao útero e ao ponto Taichong (F3) se associa, em parte dos estudos, à melhora do fluxo sanguíneo local, ao aumento da contagem de folículos antrais basais e do volume ovariano.
Como isso entra no plano terapêutico
Na prática clínica, isso não substitui a avaliação e o acompanhamento da equipe de reprodução assistida, pelo contrário, funciona melhor como parte de um plano coordenado com ela. A leitura dessas revisões ajuda a embasar decisões sobre quando a fitoterapia e a acupuntura podem somar ao protocolo já em curso, sempre considerando o histórico hormonal e reprodutivo de cada paciente.
Uma abordagem que atua em várias frentes
A força da fitoterapia chinesa nesse contexto está justamente em atuar sobre vários mecanismos ao mesmo tempo, em vez de mirar um único alvo, algo que se reflete nos achados de melhora hormonal basal e da função ovariana associados às fórmulas voltadas a tonificar rim e mover sangue. Combinada à acupuntura em pontos específicos, essa abordagem integrativa tem se mostrado uma aliada relevante no manejo da reserva ovariana diminuída, dentro do plano terapêutico construído junto à equipe de reprodução assistida.
Fonte: Zhang, X., Zhang, N., Dong, Z. et al. "The role of Chinese herbal medicine in diminished ovarian reserve management." Journal of Ovarian Research, 2025;18:90.