Mais de um quarto das mulheres na menopausa convive com insônia crônica, um problema que vai muito além do cansaço do dia seguinte. A privação de sono nessa fase está associada a maior risco de AVC, diabetes, obesidade e doença coronariana, segundo uma meta-análise publicada em 2026 na revista Maturitas.
Essa mesma meta-análise comparou diferentes intervenções não farmacológicas para a insônia da menopausa natural, terapia cognitivo-comportamental, exercício físico, acupuntura, acupressão e abordagens combinadas, e encontrou melhora clinicamente relevante da qualidade do sono em todas elas, com a acupuntura entre as intervenções com maior redução observada nos escores de qualidade do sono.
O que outra revisão de 2025 acrescenta
Uma revisão sistemática publicada na PLOS One em 2025 reuniu 28 ensaios clínicos randomizados sobre acupuntura para insônia menopausal. Nos estudos de maior qualidade metodológica, comparando acupuntura verdadeira à acupuntura simulada (placebo), a acupuntura reduziu de forma significativa os escores do Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI), aumentou o tempo total de sono e a eficiência do sono, e reduziu o tempo acordada após o início do sono. O efeito se manteve em uma reavaliação quatro semanas depois do tratamento.
Quando comparada ao tratamento padrão (medicação sedativa e/ou terapia hormonal), a acupuntura também apareceu associada à redução de sintomas de ansiedade e depressão medidos nos mesmos estudos, além da melhora do próprio escore de sono.
Por que considerar essa via
Intervenções não farmacológicas evitam os efeitos colaterais associados a hipnóticos e, em alguns casos, à terapia hormonal, o que faz da acupuntura uma opção a se discutir dentro do acompanhamento mais amplo da transição menopausal, ao lado de mudanças de hábito e, quando indicado, do próprio tratamento médico.
Um recurso não farmacológico com bom perfil de segurança
O que chama atenção nesses achados é a consistência entre diferentes desfechos do sono, tempo total, eficiência e tempo acordada durante a noite, todos favorecendo a acupuntura, com efeito mantido quatro semanas após o fim do tratamento. Para mulheres que preferem evitar hipnóticos ou que já fazem terapia hormonal e buscam um recurso complementar, a acupuntura surge como opção prática, sem os efeitos colaterais associados aos sedativos.
Fontes: "Effectiveness of non-pharmacological interventions for insomnia related to natural menopause: a meta-analysis of randomized controlled trials." Maturitas, 2026. Zhang, X. et al. "Acupuncture as an independent or adjuvant therapy to standard management for menopausal insomnia: a systematic review and meta-analysis." PLOS One, 2025;20(2):e0318562.