A falha recorrente de implantação, quando embriões de boa qualidade não implantam mesmo após múltiplas tentativas, é um dos momentos mais difíceis de um tratamento de reprodução assistida, tanto clinicamente quanto emocionalmente. Uma metanálise publicada em 2026 na Frontiers in Medicine avaliou o uso da acupuntura como terapia adjuvante durante a transferência embrionária nesse cenário, com desfechos expressos em razão de risco (RR).
O que os números mostram
Os achados mais consistentes e robustos foram gravidez clínica e implantação, ambos com intervalos de confiança estreitos e distantes da linha de nulidade, resultados que favorecem a acupuntura de forma significativa. Nascido vivo também favoreceu a acupuntura de forma significativa, assim como a redução do risco de aborto, embora esses dois desfechos tenham intervalos mais largos, típico de um número menor de eventos nos estudos, e devam ser lidos como achados preliminares. Já a gravidez bioquímica não mostrou diferença significativa entre os grupos.
Um resultado relevante para quem já passou por ciclos sem sucesso
Para pacientes que enfrentam a frustração de embriões de boa qualidade que não implantam, esse tipo de achado traz uma perspectiva concreta: gravidez clínica e implantação, os dois desfechos com maior robustez estatística no estudo, favoreceram de forma clara o grupo que recebeu acupuntura peritransferência. Isso reforça a acupuntura como uma camada adicional de suporte dentro do protocolo de FIV, atuando junto ao preparo hormonal e ao momento da transferência embrionária.
Na prática, o protocolo costuma incluir sessões próximas à data da transferência, com foco em relaxamento uterino, fluxo sanguíneo pélvico e regulação do sistema nervoso autônomo, fatores associados à receptividade endometrial.
Fonte: Huang et al. "Efficacy of acupuncture for recurrent implantation failure." Frontiers in Medicine, 2026.